Conheço diversos sujeitos que não gostam nem nunca gostaram de ser o centro dos acontecimentos, de ter o foco para si.

Não gosta de tirar fotos, de cantar parabéns no dia de seu aniversário, de fazer grandes festas para si. Se pudesse se esconderia debaixo da mesa. Não tira “selfies”, pouco aparece em redes sociais.

Em uma roda de amigos conversa muito bem com quem está ao lado, mas jamais é o dono da piada da vez para o grupo. Ri baixo. Participa de tudo, mas não protagoniza. Nos grupos de whatsaap é quase um “voyeur”, não dá opiniões, não dá sugestões, assiste a tudo, mas não se expõe.

Esse sujeito, diante das transformações dos últimos tempos e da hiper – exposição das redes sociais, na web, ganhou o mesmo tamanho no quadradinho do zoom que os “aparecidos”. Não era justo. Ele nunca desejou aquele espaço.

Pessoas aparecem. Desabrocham. Brincam com o foco, “sambam na cara da sociedade”, “tiram de letra”, enquanto outras parecem sumir.

Crianças que “não gostam de cantar parabéns” são submetidas a aulas online com vídeo, assumindo o mesmo lugar e o espaço do colega virtuoso. Fazem aulas e terapia com imagem. E se não “querem”? E se não se sentem à vontade? Quanto pode ser violento e autoritário oferecer, sem perguntar, o mesmo espaço, tempo e lugar para pessoas que se colocam no mundo de maneiras tão diferentes?
Quais os impactos na saúde mental e física desses sujeitos dos tempos atuais impostas “goela abaixo”?

Vamos pensar juntos sobre isso?

 

Malka B. Toledano

Fonoaudiologa e Psicanalista

malka@projetonish.com.br

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