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Ao longo da minha vivência, como educadora e terapeuta, penso que ao atender um casal no consultório posso ajudar mediando conversas significativas gerando possíveis negociações. Permitir a discordância para compreender e acolher as diferenças. Como favorecer nestes encontros a reciprocidade, troca, cooperação muitas vezes lidando com as luzes e as sombras desta relação? Que portas se abrem nestas conversas?

Sabemos que somos seres humanos e que para aonde formos carregamos nas costas as mochilas com as nossas histórias, uma bagagem de: legados familiares, lealdades, valores, mandatos, pertencimento e relacionamentos inter-geracionais. Poder entrar em contato com sentimentos silenciados, emoções e afetos. Muitas vezes uma história escolar sofrida de um dos pares, pode reverberar na criança.

Muitas escolhas são feitas para dar continuidade à história da família. Estudar na escola do avô, do pai, dos tios, porém nem sempre toda criança corresponde a esta expectativa, gerando um conflito de lealdades. Cada casal deve conhecer muito bem seus filhos para avaliar o que é melhor para eles.

Hoje o leque de escolhas possíveis se ampliou, portanto é importante, na clínica, ter um espaço para falar das linhas pedagógicas das escolas: tradicional ou as com o foco nos conteúdos; bilíngue, Internacional; construtivista; socioconstrutivista; waldorf; montessoriana; laica; religiosa. Piaget, Emília Ferreiro, Vygotsky? Corpo docente, segurança, distância, alimentação, localização, infraestrutura, inclusiva, apoio pedagógico, mensalidade, ranking…

Do que falamos, qual escolha fazer?

 

A escola deve estar de acordo com os valores e anseios da família. E deve-se saber, de antemão, que nenhuma escola vai corresponder a todas as expectativas.

Frequentar uma escola em que a família tenha encontros com seus pares, que se sinta pertencendo, que possa, além da criança, ampliar o grupo social. Tanto os pais como os filhos podem e devem ampliar o círculo de amizades mas, para que isto ocorra, temos que estar próximos aos nossos semelhantes em valores e princípios. Nem sempre o sacrifício de pagar uma mensalidade altíssima vai favorecer o pertencimento ao grupo social. Acredito que, às vezes, o contornável pode se transformar em um grande fardo. Querer proporcionar ao filho aquilo que não teve é um assunto recorrente no consultório, mas nem sempre a criança terá condições de corresponder aquilo que é sonhado pela família.

Aconselho, sempre que necessário, manter contato com a equipe pedagógica responsável. Grupo familiar com palpites invasivos podem dar aos pais uma sensação de incompetência. Grupo de pais de WhatsApp nem sempre contribuem para resolver as angústias latentes. Comparar o processo pedagógico entre as crianças, ranking de notas de provas, será de grande valia? Cada criança é um ser único. Lidar com a alteridade de cada um se faz necessário.

Nos atendimentos, reforço a importância de a família assumir sua função parental: acompanhando o desenvolvimento e processo de aprendizagem de seus filhos, estando atenta ao seu desempenho. É importante olhar para incômodos não nomeados como: tristeza, agitação, alteração de sono e de apetite, irritabilidade, dores, entre outras. São sinais importantes de que algo não está bem e que podem ser compartilhados com a escola.

Anete Hecht

Educadora e terapeuta de casal e/ou família.

hecht.anete@gmail.com ou pelo celular 55 11 991337237

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