No Brasil, e em grande parte dos países subdesenvolvidos, as instituições que tem os maiores muros são: os presídios, os manicômios e as escolas.

Os muros, sejam eles de concreto ou simbólicos separaram, segregam, isolam, cindem. Criam uma descontinuidade entre o acontece do lado dentro e de fora.

Ao longo da história da humanidade a escolarização se constituiu originalmente como um espaço de criatividade, de desenvolver habilidade cognitivas, motoras e sinestésicas a partir de aquisição de cultura.

Na Grécia Antiga a “grade curricular” era composta por aulas de música, literatura, mitologia, artes e esportes, basicamente. O trabalho braçal, os movimentos repetitivos que não exigiam “o pensar”, apenas reproduzir, eram destinados aos mais pobres, aos trabalhadores do campo, à plebe. Aos nobres a educação estava relacionada ao espaço de pensar, criar, ou seja, a produção intelectual.

A palavra escola tem como origem schola (do latim) e scholé (do grego). Porque é importante saber disso? Pois o significado original da scholé é folga ou ócio (não confunda com vagabundagem) e é, nesse intervalo, que se produz conversas interessantes desde sempre.

Assim temos uma cisão entre os que estão no ócio portanto, em plena atividade intelectual, e os que estão trabalhando, ou seja, em um “neg-ócio” (negação do ócio), destinados ao trabalho físico e sem tempo para refletir.

E qual será o conceito que traduz a escola do nosso tempo? Qual o convite faz a escola contemporânea? Qual é o objetivo?

Há muito tempo esse é o tema de debate de grande parte das sociedades, que produzem diferentes abordagens pedagógicas sejam elas: escolas com bases em linhas mais naturalistas, escolas tradicionais conteudistas e sócio-construtivistas. Além do próprio descrédito às instituições educacionais, que geram outra onda de ensino fora da escola, os “homeschool” (autorizados fora do Brasil, em alguns países da Europa), que em nada tem a ver com a vivência que temos com a escola on-line dos tempos da pandemia do COVID-19.

“Diante de tantas vertentes de ensino, qual é a melhor?”, esta é uma das perguntas com as quais tenho que me a ver no cenário clínico. Não é para todos todas as modalidades de escolas. Assim como não serve como uma unanimidade, na área da medicina, a alopatia, ou a homeopatia, a acupuntura ou a medicina chinesa. Cada sujeito e cada família tem sua demanda, seus princípios, crenças e apostas. Sejam para crianças absolutamente funcionais (consideradas normativas, que funcionam dentro das expectativas) ou para crianças com qualquer disfuncionalidade intelectual.

Será que uma dada criança não “vai bem” em qualquer escola, ou na escola que os pais desejam que ela se encaixe? Essa é uma criança disfuncional para a escola? Ou essa é uma escola disfuncional para a criança?

 

Malka B. Toledano

Fonoaudiologa e Psicanalista

malka@projetonish.com.br

Deixe uma resposta