“Calma, respira e fala”, é o que todo mundo que está gaguejando escuta.

Isso não contribui em nada para tornar a fala fluente.

O que ajuda?

O conselho “calma, respira e fala” dado a alguém que gaguejou, traz o foco para a forma da fala e ignora a mensagem que foi emitida. O falante, entretanto, não tem consciência sobre a forma de produção da fala, porque a produz de maneira automática, enquanto sua consciência esta focalizada na mensagem que deseja passar.

Sendo assim, o conselho não ajuda a fluir e ainda pode trazer conseqüências ruins para o falante visto que:

  1. nega a mensagem produzida por não respondê-la;
  2. indica que a pessoa falou de modo inadequado / errado;
  3. indica que a pessoa deveria falar novamente de algum outro modo, ignorando que a produção da fala é automática,

Esses três aspectos podem levar a pessoa a se sentir desconfortável com sua forma de falar, gerar medo e vergonha e até colaborar com a formação de uma imagem negativa de falante, que trará sofrimento ao longo da vida.

O que ajuda é sempre aceitar a forma de falar das pessoas, focalizando-se na mensagem e respondendo a ela, de modo que a conversa possa fluir. Isso faz com que a pessoa se sinta bem e aceita na comunicação e, desse modo, a medida que a conversa prossegue, naturalmente a gagueira diminui.

Em se tratando de crianças, na hora de responder à mensagem vale também incluir a palavra ou palavras que a criança teve dificuldade de pronunciar, porque é ouvindo a fala dos outros que se desenvolve a própria.

Exemplo: ‘mamãe olha o eeeeelefante ggggrandão!’; ‘sim, o elefante, ele é bem grandão mesmo, né?

 

Silvia Friedman – Fonoaudiologa, Doutora em Psicologia Social

@gagueiraesubjetividade

 

 

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