Adulto do ponto de vista civil é aquele maior de 18 anos de idade.

Adulto, do ponto de vista da mente, é aquele sujeito que amadureceu pelas experiência de vida às quais foi exposto, à sua condição de resolução e de responsabilização sobre seus próprios atos e daqueles que dependem dele.

Será que estamos chegando na idade adulta com uma mente madura?

Vou contar dois fragmentos clinicos:

Certa vez, e esta se repetiu muitas vezes com diferentes personagens, os pais de pacientes me perguntaram qual minha opinião com relação a uma suspeita de transtorno de seu filho levantada pela escola. Então eu disse sim que iria responder, mas antes eu queria saber a opinião deles, como pais, a esse respeito. Resposta: “não sei”.

“Não sei” significou em vários momentos, para mim, a expressão da falta de condição de pensar, de criar, de se responsabilizar, de ter autonomia e autoria de pensamento, em outras palavras, de ter uma atitude madura.

Outra vez escuto, diante da falta de condições de escolher algo que não seja do desejo dos filhos e ser preterido por isso: “filho, aonde você quer almoçar?”. Fazem a vontade da criança, na tentativa de supor que a criança saiba o que quer (se, na verdade, nem o “adulto” sabe o que deseja) e espera ser amado por isso. E, evidente, não é (pelas próprias leis de desejo: ser sempre realizado de forma parcial, mesmo que tenha sido acertado), o que gera grande tristeza e frustração nos pais infantilizados, que reclamam: “a gente faz tudo o que meu filho quer e ele não parece satisfeito e ainda quer mais e reclama”. Desse modo responsabiliza-se a criança, “aquela ingrata”.

Para chegarmos a maturidade precisamos ter tido experiências que sejam referências para nós mesmo, como aprendizado. Lembra quando, antigamente, ao final de uma história se perguntava, “qual é a moral?”. Então é isso que proponho. Não basta ter vivências, elas devem ser metabolizadas e transformadas em experiências, em repertório, para que não cheguemos a situações repetidas vezes sem “saber o que fazer”.

O conhecimento é construído ao longo das vivências, mas isso se soubermos entender a “moral da história”.

 

Malka B. Toledano

Fonoaudiologa e Psicanalista

malka@projetonish.com.br

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